Trending: Inscrições abertas para aulas gratuitas de Jiu-Jitsu em Matozinhos Idoso tem casa invadida, é torturado e queimado por bandidos durante a madrugada em Vespasiano Jovem morre na frente da mãe após ser baleada por ex-companheiro em Lagoa Santa Confusão gerada por falso médico em Santa Luzia pode ter causado morte de uma jovem Suspeito de participação no assassinato de adolescente em Vespasiano é preso Motorista de aplicativo é roubado e sequestrado em Santa Luzia
Portal Linha Verde

Engenheiro argentino é preso em hotel de luxo em Lagoa Santa por injúria racial

Lagoa Santa - 31/12/2019 - 10:27 1342 Visualizações
Engenheiro argentino é preso em hotel de luxo em Lagoa Santa por injúria racial

Um engenheiro argentino de 49 anos foi preso em flagrante em Lagoa Santa (MG) suspeito de injúria racial contra funcionários de um hotel de alto padrão.

Segundo o registro policial, o suspeito chamou uma trabalhadora do local de "macaca" e "negra filha da puta", e outra de "macaca de trança" e "macaca moderna". Ele ficou um dia detido no presídio da cidade e conseguiu um alvará de soltura, de acordo com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas (SESP).

O suspeito, Jesus Gabriel Marin, de 49 anos, admitiu ter chamado a funcionária de "negra filha da puta" e pedido a demissão da trabalhadora, mas diz que não usou o termo "macaca" contra ela e nem contra outra pessoa. Segundo Marin, a sua reação aconteceu depois de um ataque epiléptico de um dos seus filhos e uma crise de choro da esposa por causa de uma série de problemas relacionados ao atendimento de alguns empregados do hotel.

De acordo com a Polícia Militar, na tarde do último dia 21, Marin compareceu à recepção do hotel para reclamar que não conseguia entrar no quarto porque a porta estava bloqueada e foi informado que era por falta de pagamento.

A reação do engenheiro, segundo testemunhas, foi xingar a funcionária A.F, de 30 anos, por causa da cor da pele dela. "Essa macaca está me tirando do hotel. Quem ela pensa que é?", disse, pelo que consta no boletim de ocorrência. Além disso, Marin também teria gritado que não iria pagar "porra nenhuma" e que "iria dar um jeito de vê-la (a funcionária) demitida".

No boletim de ocorrência há a informação de que o engenheiro argentino admitiu ter xingado a funcionária de "negra filha da puta" durante a discussão.

No registro da polícia há três testemunhas que teriam confirmado as ofensas.

Outra funcionária do hotel, L.M, 26 anos, contou à PM que, em outro dia, foi chamada de "macaca de trança" e de "macaca moderna" pelo argentino. Segundo relatou aos militares, Marin "repetia a todo momento que ela era uma macaca".

Com a confusão após o bloqueio da porta do quarto, a polícia foi chamada e prendeu Marin pelo crime de injúria racial, de acordo com a Polícia Civil.

Engenheiro nega algumas informações do BO

Segundo Jesus Gabriel Marin, durante a semana em que ficou no hotel, ocorreram vários problemas em relação à estrutura do local e ao atendimento.

Um deles foi a falta sinalização de que todas as tomadas são 220v, segundo ele. Além disso, o engenheiro afirmou  não ter concordado com a forma de atendimento de três funcionários.

Um deles teria dito de forma ríspida, de acordo com Marin, que ele não poderia entrar de sunga no restaurante. O engenheiro disse que questionou por que não havia placas indicando a regra. Ele contou também que, em outro dia, foi surpreendido com o fim do horário do café da manhã, e pediu aos funcionários que fizessem um pão com queijo, mas foi negado. De acordo com Marin, ao tentar reclamar dos problemas, recebeu a informação de que o estabelecimento não tem gerente, o que não se confirmou depois, segundo ele.

O engenheiro contou  que a porta do quarto onde se hospedou foi bloqueada em três ocasiões. Ele diz que não se negou a pagar para continuar no hotel. Na terceira vez, porém, admite ter se irritado com a funcionária que deu a notícia do bloqueio ao ver um dos seus filhos com ataque de epilepsia e a esposa numa crise de choro por causa da situação, de acordo com Marin.

Ele disse que chamou a gerente e uma funcionária do restaurante e usou o termo racista contra a trabalhadora. "Agora você pega essa negra filha da puta e manda embora agora. Em vez de chamar uma ambulância [para o filho epiléptico], chamaram a polícia. Aí piorou tudo. Eu não sou de arrumar confusão". Marin, porém, nega ter chamado qualquer pessoa de "macaca", contrariando a informação do boletim policial.

No dia 23, Marin conseguiu um alvará de soltura, segundo a SESP, e responderá em liberdade.

Por telefone, a gerente do hotel disse que a orientação da direção é não comentar o caso com ninguém. Segundo uma fonte que não quis se identificar, o estabelecimento "abafou" o ocorrido.

O que achou dessa matéria?

Deixe sua opnião sobre o assunto.

Mais lidas este mês