A Secretaria de Saúde de Belo Horizonte confirmou nesta quarta-feira (26) que pelo menos duas regiões da capital mineira têm a presença da bactéria causadora da febre maculosa. A doença, transmitida pelo carrapato-estrela, é altamente letal e mata em média quatro a cada dez infectados.
A bactéria que provoca a enfermidade foi encontrada em áreas da Lagoa da Pampulha e da Cidade Administrativa, áreas turísticas e frequentadas por milhares de pessoas diariamente. O resultado do primeiro exame realizado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), em abril, deu positivo para a bactéria nos dois pontos da capital. Até o momento a cidade não registrou nenhum caso da doença.
"Os resultados das últimas amostras enviadas à Fundação Ezequiel Dias, em junho, ainda não foram liberados", informou a Secretaria de Saúde, em nota. Ainda conforme a pasta, os carrapatos colhidos e enviados para análise estavam na grama das duas áreas. A PBH não informou se os aracnídeos também foram recolhidos em capivaras ou cavalos, hospedeiros do carrapato-estrela.
Ainda conforme a pasta, todas as medidas necessárias foram adotadas e "as medidas foram tomadas em continuidade aos procedimentos já realizados". Os responsáveis pela Cidade Administrativa também foram orientados de como proceder para evitar a contaminação da doença.
A assessoria da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) informou que a área da Cidade Administrativa está realmente sujeita à aparição de carrapatos e capivaras, seus hospedeiros naturais. "Por isso, existem placas no gramado, informando sobre a potencial presença destes carrapatos".
Além disso, ainda segundo a Seplag, "a Cidade Administrativa faz o acompanhamento junto aos órgãos competentes e realiza dedetização das áreas internas e externas dos prédios, periodicamente - este ano já foram feitas três e, no próximo sábado (29), será feita a quarta do ano". "Lembramos, ainda, que os serviços de poda, roçagem e capina estão ocorrendo normalmente em parceria com outros órgãos e entidades estaduais", conclui a nota.
Proliferação
A enfermidade é mais comum entre junho e novembro, conforme a Secretaria de Estado de Saúde (SES). Nesses meses, a população de carrapato-estrela, transmissor da bactéria, aumenta devido ao ciclo de vida da espécie. A doença provoca febre alta, manchas na pele e dores no corpo.
Orientações
Pessoas que moram perto de áreas com possibilidade de existência do carrapato-estrela devem examinar o corpo a cada três horas, usar roupas claras e compridas, colocar barras da calça para dentro da meia e usar sapatos fechados. Outras orientações são:
- Se encontrar um carrapato no corpo, o recomendável é utilizar uma pinça e retirar o parasita pelo bico. Apertar o animal com os dedos pode fazer com que o sangue caia na corrente sanguínea do ser humano.
- Outro alerta é para as pessoas não matarem as capivaras. O carrapato-estrela é hospedeiro de animais que estão com sangue quente. Quando um animal morre, o carrapato procura outro ser vivo para se alimentar e o perigo pode se espalhar ainda mais.
- O abandono de animais em outras regiões também pode fazer com que a doença se espalhe. A responsabilidade pela higienização é dos donos.
Tratamento precoce é essencial
Ao primeiro sinal da doença, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente, já que o tratamento precoce é essencial para evitar formas mais graves da febre maculosa e até mesmo a morte, segundo o Ministério da Saúde. Veja abaixo alguns sintomas:
- Febre acima de 39ºC e calafrios, de início súbito;
- Dor de cabeça intensa;
- Náuseas e vômitos;
- Diarreia e dor abdominal;
- Dor muscular constante;
- Inchaço e vermelhidão nas palmas das mãos e sola dos pés;
- Gangrena nos dedos e orelhas;
- Paralisia dos membros que inicia nas pernas e vai subindo até os pulmões causando parada respiratória;
- Além disso, com a evolução da febre maculosa é comum o aparecimento de manchas vermelhas nos pulsos e tornozelos, que não coçam, mas que podem aumentar em direção às palmas das mãos, braços ou solas dos pés.
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