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Motoristas de Matozinhos paralisam as atividades por falta de pagamento

18/03/2021 às 11:23 • Em Matozinhos

Os funcionários da Viação Cota (ETM), que presta o serviço do transporte público em Matozinhos, cruzaram os braços nesta quinta-feira, dia 18, por falta de pagamento dos salários. Segundo os trabalhadores já são quase três meses sem recebimento, com contas chegando e sem terem como quitá-las.

Os ônibus estão parados na garagem da empresa, localizada no bairro Florestal, onde nossa reportagem esteve nesta manhã, para conversar com os profissionais e também com o Gestor da ETM, Camilo Gontijo. Aproximadamente 20 motoristas estão parados e aguardam respostas para voltarem às suas atividades.

"A paralisação hoje é por causa do atraso do pagamento. Estamos trabalhando sem receber, não fizemos sacanagem com ninguém, viemos trabalhar direitinho, mas sem receber não dá mais. Estamos pegando dinheiro emprestado, sem condições de pagar e chegamos ao limite. Precisamos de uma resposta urgente. Hoje não iremos sair, pois para nós chega a ser uma vergonha. Assim que o pagamento cair na conta a gente volta ao trabalho normal", disseram os funcionários Renan e Carlos, que foram escolhidos como representantes da classe para conversarem com o jornal.

Questionados sobre os usuários que dependem dos ônibus, eles mandaram um recado: "O usuário não tem nada a ver com isso, mas atinge eles. Nós dependemos do dinheiro para sobreviver. Muitos usuários estão nos apoiando e com a pressão deles creio que isso possa ser resolvido", concluíram os funcionários.

O QUE DIZ A VIAÇÃO COTA (ETM)

O Gestor da Viação Cota, Camilo Gontijo, explicou a situação. Veja na íntegra:

"Infelizmente o subsídio é muito importante para a continuidade da atividade comercial e a gente está sem ele desde janeiro, por mais que foi comunicado previamente que iria trazer o caos. É preciso deixar bem claro que este subsídio é única e exclusivamente para manter o serviço da atividade pública no período de pandemia, onde as pessoas estão ficando em casa e somente estão usando o transporte quem realmente necessita. Muitas pessoas vão pensar que a empresa já vinha passando por um momento ruim e esse dinheiro é para resolver a má administração pretérita, mas não é! Esse dinheiro é só para custear no período da pandemia às necessidades básicas da empresa. Todo mês que a empresa gira ela está criando um passivo, coisa que tínhamos resolvido. Em janeiro de 2020, tínhamos colocado as contas em dia, parcelamento dos impostos, perante a Justiça do Trabalho, e isso daria condições até mesmo porque o contrato de concessão tem validade para mais 10 anos. Tínhamos uma luz no fim do túnel! O subsídio é para isso, estamos no período de pandemia, uma incerteza em tudo, e para a gente continuar prestando serviço publico que é essencial. Temos agora (manhã desta quinta) cerca de 15 a 20 funcionário parados, mas que fizeram o que puderam doando seu tempo sem salários. O transporte público tem três pilares: máquina, combustível e o homem. Dois pilares são inegociáveis que é a máquina e o combustível. Eu consegui negociar com o ser humano, agora não consigo mais. Eu não posso correr o risco de obrigar um funcionário que está a meses sem receber a trabalhar, pois estamos lidando com vidas, e isso afeta cada um de uma maneira. Sei que todos tem problemas. Não posso colocar eles para trabalhar sem salário. Não sei onde está o erro, nem sei se está errado, mas o tempo da Prefeitura não coincidiu com o tempo que a empresa precisava, mas eu avisei desde novembro de 2020. Eu tenho que apoiar a decisão deles".

O OUTRO LADO

A Prefeitura de Matozinhos informa que a empresa será notificada nos termos do contrato de concessão para prestar os serviços, sob pena de aplicação de cláusula penal.

Independente do subsídio, a prestação dos serviços é responsabilidade da concessionária, não podendo ser argumento para paralisação da prestação dos serviços à população.

Créditos: Por Dentro de Tudo

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