A Polícia Civil apura o paradeiro de um bebê nascido em setembro do ano passado após contradições apresentadas pelos pais levantarem suspeitas durante uma ocorrência atendida pela Polícia Militar (PM) em Lagoa Santa. O caso, inicialmente registrado como abandono de incapaz, ocorreu na última quarta-feira (27).
A situação chegou às autoridades após amigos do casal acionarem a PM. Segundo relatos, mensagens enviadas pela mãe da criança nos dias 26 e 27 de maio indicavam que o bebê teria morrido. No entanto, as versões apresentadas pela mulher eram inconsistentes, alternando entre diferentes relatos sobre supostas agressões e a morte do filho.
Ao chegarem à residência do casal, os militares encontraram o imóvel em condições de desorganização, com sujeira, garrafas de bebidas alcoólicas, objetos quebrados e pinos vazios de cocaína. De acordo com o boletim de ocorrência, o homem, de 38 anos, e a mulher, de 31, admitiram o uso de drogas e apresentavam sinais de alteração psicomotora.
Durante o atendimento, a mãe apresentou diferentes versões sobre o suposto destino do bebê. Em uma delas, afirmou que a criança teria morrido meses após o nascimento. Em outra, relatou ter sofrido ameaças e mudanças constantes de endereço por envolvimento com o tráfico de drogas. Em um terceiro relato, disse que o bebê teria sido morto em novembro de 2025, em Ipatinga, por uma terceira pessoa. Pouco depois, voltou a alterar a versão, afirmando que a criança teria morrido enquanto dormia com os pais e que uma cuidadora teria levado o corpo.
O pai da criança também prestou depoimento em vídeo e confirmou o histórico de ameaças ligado ao tráfico de drogas. Ele relatou ainda a participação de uma mulher de 43 anos, apontada como cuidadora, que teria deixado o local com o corpo do bebê. Segundo esse depoimento, após a morte da criança, o casal teria entregue o corpo à cuidadora, que o teria descartado em um rio na região onde estavam hospedados. A versão, no entanto, ainda é investigada pelas autoridades.
Durante buscas na residência em Lagoa Santa, a PM encontrou documentos como a certidão de nascimento e a guia de alta hospitalar do bebê. No entanto, não foram localizados vestígios que indicassem a presença recente de uma criança no imóvel.
O casal foi conduzido à delegacia, mas acabou liberado posteriormente, já que não foi caracterizada situação de flagrante, segundo a Polícia Civil.
Em nota, a corporação informou que as investigações seguem em andamento para localizar a criança e esclarecer os fatos, além de identificar e responsabilizar eventuais envolvidos.